Histórico

O distrito de Barão do Triunfo pertencia ao município de São Jerônimo, com uma área de aproximadamente 16.000 hectares, estando distante da sede do município 63 quilômetros. Sua situação geográfica é 8º36”30″ a oeste do Rio de Janeiro, latitude sul, e está situada a 260 metros acima do nível do mar. O início do município ocorreu em 1889, quando migrantes europeus ali chegaram. Desembarcaram em Charqueadas, porto do Rio Jacuí. Daí rumaram em carroças puxadas por bois até o local chamado Faxinal, onde foram alojados em barracões construídos pelo Governo, até se instalarem definitivamente nos lotes de imigração. Partindo de Faxinal, com suas famílias e todos os seus pertences (ferramentas rudimentares, tais como: foice, machados, picão, enxadas, facões, fornecidas pelo Governo da Província), iam abrindo seu próprio caminho e traçando seu próprio destino. A caminhada foi penosa. Em todo o caminho foram encontradas dificuldades que retardavam o avanço, tais como animais selvagens, matas de difícil penetração, terreno acidentado, etc.

Chegando ao local de destino, os lotes já estavam demarcados e os imigrantes foram distribuídos por linhas demarcadas. Sendo assim os italianos foram assentados na Linha Dona Francisca, Dona Amélia, Estrada Geral e no local que havia sido destinado para sede da Colônia de Barão do Triunfo, nome este escolhido em homenagem ao grande General José Joaquim de Andrade Neves, que se destacou na guerra dos farrapos, entre 1835 e 1845; os poloneses também ocuparam parte da Estrada Geral e no local que hoje é conhecido como Arroio Grande; os alemães foram assentados nas linhas Artur Vilela, Alfredo Silveira e Fernando Abott; os espanhóis, em parte da linha Alfredo Silveira, Linha Acioli, Linha Brandão, Linha José Montauri; os suecos, os austríacos e franceses, que eram em pequeno grupo, foram distribuídos em todas as linhas. Os franceses, que não eram colonos, aqui não permaneceram por muito tempo, retornando para as cidades de origem.

Depois de alojados em seus lotes e adaptados ao meio, iniciou-se efetivamente a colonização. Mesmo sem tecnologia para a agricultura, as colheitas eram fartas, devido à fertilidade das terras. Cada grupo de imigrantes, por nacionalidade, produzia o que conhecia de seu país de origem. Sendo assim, os italianos, de imediato, plantaram seus parreirais, árvores frutíferas, hortaliças, etc.

A produção gradativamente foi aumentando. O excedente da produção passou a ser comercializado nas cidades próximas, como Barra do Ribeiro, Guaíba, Arroio dos Ratos e São Jerônimo. Eram os carroceiros da Vila que realizavam este transporte, partindo daqui com seus carroções puxados por burros, levavam os produtos que trocavam por outros aqui não existentes. Nesta viagem demoravam-se por volta de quinze dias entre ida e volta. Entre os produtos comercializados, destacavam-se o vinho, a cachaça, o trigo, o milho e o feijão.

Nos primeiros anos, houve um período de progresso na localidade. Aproveitaram as quedas d”agua do local para instalarem pequenas serrarias, moinhos de trigo e milho, descascadeiras de arroz e, também, para produzir energia elétrica. Porém, houve um fator que contribuiu decisivamente para o atraso do desenvolvimento do distrito de Barão do Triunfo, que foi o desastre ecológico ocorrido no dia 15 de janeiro de 1941, quando uma tromba d”agua, caracterizada como “enchente de 41” destruiu, em poucos minutos, residências, moinhos, serrarias, plantações, cantinas, criações, 33 pontes, pontilhões e até mesmo modificando a geografia nas proximidades do Arroio Baicuru, sendo que o próprio leito do arroio, em certos trechos, foi desviado pela violência das águas. Somente a ponte de Faxinal ficou em pé. Durante 2 anos o Distrito ficou isolado do resto do município. Passou a faltar tudo. A agricultura foi destruída, e de fora nada podia chegar, pois não havia estradas, nem pontes, só a pé ou, raramente, a cavalo se podia ainda chegar ali. Muitos foram embora, para tentar a sorte em outro lugar. Os que aqui permaneceram tiveram que recomeçar do nada, como seus antepassados. Após muita luta e perseverança surgiram dias melhores.

A Vila de Barão do Triunfo não é grande, tendo invejável situação topográfica. A população do município distribui-se por diversas linhas da antiga colônia. A agricultura se apresenta bem diversificada e é parcialmente mecanizada. Grande parte dos agricultores possui tratores, seifadeiras, microtratores e outros equipamentos para efetuarem suas plantações e colheitas. Atualmente, o principal produto de comercialização é o fumo, onde diversas companhias mantém orientadores para fazer o acompanhamento desta cultura, visando o aumento da produção e a qualidade do produto. Inicialmente, usavam-se processos manuais para trabalhar esta cultura, sendo que hoje as máquinas substituem em parte o trabalho manual.

Produz-se, anualmente, em torno de 3.500 toneladas de melancia; 900 toneladas de erva-mate; 3.500 toneladas de fumo em folha; 2.500 toneladas de batata-doce; 100 toneladas de casca de acácia; 150 toneladas de uva; 42.000 m3 de lenha por ano, que é consumida na secagem de fumo e tijolos; existem jazidas de granitina, que está sendo exportada para a Europa; existe um rebanho bovino de 4.000 cabeças e um rebanho suíno de, aproximadamente, 7.000 cabeças.

Um fator que contribuiu para minimizar o impacto da enchente foi a criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Barão do Triunfo. Por iniciativa do vigário local, Padre José Wiest, o Sindicato foi fundado no dia 13 de setembro de 1963, tendo como primeiro presidente o sr. Adario Salatti, e como secretário o sr. Ludvig Baselevitz.

Contava no momento da fundação com 113 associados, chegando hoje o referido Sindicato a ter 4.267 sindicalizados, oferecendo assistência social e assistência técnica aos trabalhadores rurais em geral. Em 23 de outubro de 1892 foi fundada na sede da Vila Barão do Triunfo uma sociedade denominada “Societa Fratellanza Italia”, organizada pelos imigrantes de origem italiana, com o objetivo de congregar sócios para fins assistenciais e culturais. Os responsáveis eram os senhores Gabriel Gianichini, Cesare Tassinari, Luigi Carletti, Giovani Speroto, Vitorio Verdi, Dante Caetano e Giusepe Minari. No ano de 1938, esta sociedade passa a se chamar: “Sociedade Beneficente e Recreativa Cruzeiro”, devido ao Decreto Lei nº 383, de 18 de abril de 1938, baixada pelo governo da República, que exigia a nacionalização de todas as sociedades culturais e estrangeiras. Segundo consta nos estatutos, seus objetivos foram alterados. O Artigo 1 prevê que a entidade tem por fim prestar auxílio material, moral e recreativo a seus associados. Em 1980, o nome da sociedade é novamente alterado, passando a se chamar “Sociedade Cultural e Recreativa Cruzeiro”, tendo por objetivo “congregar sócios para fins recreativos, culturais e esportivos de caráter amadorista, estimulando entre os associados e seus familiares a realização de provas ou torneios que concorram para o desenvolvimento físico e social”.

Os imigrantes europeus que vieram para Barão do Triunfo trouxeram para a localidade sua religiosidade, erguendo de imediato sua pequena capela confessional, que era inicialmente atendida pelo Vigário de São Jerônimo. Esta situação manteve-se até o ano de 1929, quando assumiu o primeiro Vigário residente, que passou a atender a Matriz de Barão do Triunfo e as Capelas adjacentes; esse trabalho foi feito pelo padre Guilherme José Wiest, empossado dia 10 de novembro de 1930. No município, existem também outras seitas e religiões evangélicas.

Hoje, o transporte de mercadorias é realizado por caminhões, que realizam as trocas entre os produtores e os consumidores. O transporte coletivo é feito por três empresas que fazem a ligação com Porto Alegre, São Jerônimo, Arroio dos Ratos, Guaíba e Sertão Santana. A vila também possui transporte coletivo por táxis e táxi-lotação. O Distrito de Barão do Triunfo possui energia elétrica fornecida pela CERTAJA – Cooperativa Regional de Energia e Desenvolvimento Rural Taquari-Jacuí Ltda., possuindo rede de alta e baixa tensão, que pode ser utilizada pela indústria e CEEE. Barão do Triunfo possui duas centrais de telefonia Social Rural com vários ramais, distribuídos pela vila e adjacências.

Barão do Triunfo possui um posto de Correios e Telégrafos. O comércio, no distrito, apresenta-se em franco desenvolvimento. Existem dois supermercados, várias casas comerciais, duas madeireiras, uma lanchonete, três casas de carne, um posto avançado do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, várias oficinas mecânicas, vários comércios de acessórios e auto-peças, dois postos de gasolina, um engenho de arroz, um gabinete dentário e uma clínica de pronto- atendimento médico, várias serrarias para o beneficiamento de madeiras, várias lojas e um depósito de bebidas.

Barão do Triunfo possui também um gpm da Brigada Militar e um posto de Saúde Pública.